Inteligência Emocional
Inteligência Emocional
Nunca se ouviu falar tanto de emoções como hoje em dia! Na verdade, por todo o lado se ouve falar em emoções, inteligência emocional, gestão de emoções, etc.
Que papel tem as emoções no nosso equilíbrio? Como afetam o nosso bem-estar, como regulam e se refletem na nossa saúde? Será possível combater o stress e a depressão sem recurso a medicação?! Para ajudá-lo a perceber melhor o papel regulador que as emoções assumem na nossa vida, passo a expor alguns tópicos que poderão facilitar essa compreensão: todos nós possuímos um “cérebro emocional”, que tem uma organização celular diferente e assume propriedades bioquímicas também diferentes do resto do “neocórtex”, que comanda as funções da linguagem e do pensamento!
Na verdade, o “cérebro emocional”, funciona muitas vezes de forma autónoma e a linguagem e cognição pouco o influenciam; não conseguimos ordenar à emoção que desapareça ou aumente! No entanto, o “cérebro emocional”, por seu turno, consegue controlar tudo o que rege o bem- estar psicológico, bem como o fisiológico!
Coração, tensão arterial, sistema hormonal, digestivo e mesmo o sistema imunitário, são fortemente influenciados pelas emoções; os desequilíbrios emocionais, são reflexo da desorganização e disfunção do “cérebro emocional”.
São as emoções que trazem significado às nossas vidas! Que seria de nós sem amor, beleza, justiça, verdade, etc. As emoções regulam os nossos comportamentos, elas guiam-nos; procuramos “boas” emoções e afastarmo-nos das “más”; quando estamos privados das emoções, “perdemos o chão” e sentimo-nos desorientados. Claro que, emoção sem razão, também não nos serve de muito, a emoção deve ser regulada pela razão, dado que decisões tomadas a “quente” podem pôr em risco o nosso equilíbrio e, o que permite encontrar este equilíbrio entre emoção e razão, é a nossa Inteligência Emocional.
O “cérebro emocional e o racional” captam a informação, praticamente, em simultâneo; a partir desse instante, ou tentam cooperar no processamento dessa mesma informação ou entram em disputa; é a forma como interagem que vai determinar o que sentimos, influenciar a nossa relação com o mundo e a nossa relação com os outros. Quando o emocional e o racional, apontam na mesma direção, sentimos um estado de harmonia interior!
O “cérebro emocional” é aquele que nos conduz a comportamentos ditos de sobrevivência; é ele que nos faz perceber o perigo, ou que nos desperta para um parceiro,.. . Em situações de grande stress, o “cérebro emocional” é capaz de “desligar” o córtex pré-frontal (a parte mais avançada do cérebro), que prede a capacidade de orientar o nosso comportamento. Nestas alturas, os instintos veem ao de cima, porque são eles que têm prioridade em situações de emergência! O nosso “Homo Sapiens”, aparece e é extremamente útil nas nossas vidas em inúmeras situações!
No entanto, quando as emoções estão exacerbadas, perdemos o controlo dos nossos pensamentos e somos incapazes de controlar o nosso comportamento em função do que pode ser melhor para nós a longo prazo.
Para vivermos em harmonia, é importante que o emocional e o racional estejam em equilíbrio.
As emoções são sentidas no corpo; com frequência dizemos que temos “medo na barriga”, o “coração leve” ou que é como se “levássemos um soco no estômago”. Estas representações não são meras figuras de estilo, porque na verdade, as emoções são um estado do corpo! O coração vê e sente, verdadeiramente, porque, de facto, ele está ligado a dezenas de milhares de neurónios.
Tão importantes são as emoções e tão difíceis de gerir ao mesmo tempo! Dominar a comunicação emocional não se consegue de um dia para o outro, é algo a aperfeiçoar durante toda a vida!
A Inteligência Emocional, trabalha-se! De forma sucinta, podemos dizer que a Inteligência Emocional se relaciona com quatro funções essenciais:
-a aptidão para identificar o estado emocional próprio e dos outros.
-a aptidão para compreender o desenrolar natural das emoções (que evoluem de forma diferente no tempo).
-a aptidão para raciocinar sobre as próprias emoções e sobre a dos outros.
-a aptidão para gerir as suas emoções e as dos outros.
São estas aptidões que nos permitem ter autodomínio e atingir sucesso social. São elas que nos permitem ter um maior ou menor autoconhecimento, que nos facilitam a gestão de conflitos, etc.
A maioria das pessoas, está convencida de que domina estas quatro aptidões, mas tal não acontece com muita frequência.
Aqui ficam alguns aspetos a considerar para melhor gerir as suas emoções:
- Consciência -Aprenda a reconhecer individualmente as suas emoções, como é que ocorrem e também o porquê de estar a sentir esta ou aquela emoção. Compreenda os seus efeitos (bons ou maus) sobre si próprio.
- Controle - Resista aos impulsos, mantenha a calma mesmo quando o caos parece estar instalado; pense sempre de forma ponderada, quando os que o rodeiam não podem.
- Avaliação – Aprenda a conhecer os seus pontos fortes e as suas fraquezas, aprendendo com os erros, e tente sempre construir com base no que já tem, numa tentativa de se tornar melhor.
- Visão - Crie um sentido de orientação na sua vida, tentando prever e antecipar problemas, necessidades antes que surjam, e prestando atenção aos detalhes.
- Criatividade – Pense sempre mais além, desenvolva a sua tolerância e mantenha uma postura de abertura à mudança, porque tudo na vida muda, não se oponha à mudança.
- Inovação – Procure soluções não convencionais para os problemas e mantenha o espírito aberto à novidade, aplicando a criatividade em formas práticas.
- Ambição - Defina metas difíceis mas realistas, eleve constantemente a fasquia, em busca da excelência e alimente a necessidade de realização sempre que puder.
- Iniciativa – Não vire as costas às oportunidades, seja flexível e tente-se adaptar para fazer progressos.
- Carácter - Seja responsável pelo seu desempenho, adote uma abordagem centrada no seu trabalho, aceite que mais ninguém tem a culpa das suas incapacidades.
- Adaptabilidade - admita os erros nos insucessos, permaneça flexível diante os obstáculos, e nunca seja demasiado teimoso quando for necessário mudar.
- Independência – Interiorize um inabalável senso de quem você é, tome as suas próprias decisões mesmo diante da pressão de outros, e não tenha receio de agir apesar das dúvidas e do possível risco.
- Optimismo - perceba que todos cometemoserros, mas persista, não importa quantas vezes caímos, mas sim as vezes que nos conseguimos levantar! Mantenha sempre a esperança que o sucesso está à sua espera.
Atente a estes princípios e tente orientar a sua conduta com base neles, vai ver que aos poucos, começará a perceber as mudanças na sua vida. Tome consciência destes aspetos, assuma-os, incorpore-os e fortaleça a sua Inteligência Emocional!